sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A Bíblia contém erros?



 

Dizem que cada ser humano necessita fazer três coisas antes de morrer: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.

Ao criarmos “raízes” surge naturalmente uma necessidade de registro, da escrita... do deixar à posteridade seu testemunho de vida e isso não está necessariamente vinculado a sua história literalmente descrita, mas aos fatos. Ou seja, reminiscências que foram importantes para você enquanto ser humano. Entretanto, também não significa dizer que tais fatos ocorreram fora de seu contexto de vida. Agora pensemos não na perspectiva do indivíduo, mas da coletividade de uma nação que começa a surgir, a se delinear e a se estabelecer – Israel.
 

É comum ouvirmos que a bíblia contém disparidades, exageros e que em determinados momentos não condiz fidedignamente com o contexto histórico da época. Há ainda os que contestam a Bíblia como não sendo “a palavra de Deus”.  Com relação a isso, um amado professor de fenomenologia costumava dizer que a Bíblia não é a palavra de Deus, mas contém a palavra de Deus e contendo ela é! Confuso?! Tentarei explicar.

A questão é que o fator motivador da escrita bíblica nunca esteve no registro histórico, como ateus e agnósticos costumam se “ater”, mas  na intimidade, ou seja, no relacionamento de Israel para com seu Deus ( Yhwh).
O texto escrito surgiu da necessidade de deixar para as gerações futuras os ensinamentos e tradições de um povo que teve um encontro com o Deus que é.  Com aquele que não se apresentou por um nome, mas como um verbo, como a ação onde tudo é e onde tudo nele está. Como o “Eu sou”. Mas, isso não impossibilita o evento de ter ocorrido concomitantemente com o registro escrito.

Existem duas correntes teóricas que abordam o assunto: os maximalistas e os minimalistas.  Os minimalistas defendem que primeiro ocorreu o evento e posteriormente seu registro escrito, enquanto, que os maximalistas afirmam a inerrância da bíblia e neste caso a escrita seria momentânea ao fato ocorrido.

Prefiro me ater entre as duas correntes. E nesse sentido posso dizer ser possível um caminho alternativo que possibilite a recuperação da experiência bíblica do povo de Deus e ainda assim ressalte a importância da história na elaboração do fenômeno religioso. Pois, ao entender que a bíblia foi escrita por homens e assim sendo é passível de erros, posso vislumbrar a possibilidade da mesma, em determinados momentos, ser uma reminiscência da tradição do povo, justificando assim discrepâncias em algumas passagens.
 
Vamos esmiuçar mais essa abordagem. Imaginemos uma criança que escuta seu pai contando determinada história e que no dia seguinte essa mesma criança decide contar à mãe a história que escutou do pai. Esse conto seria cheio de detalhes, rico, por assim dizer. Contudo, alguns pontos ditos pelo pai poderiam passar despercebidos na narração do filho. Agora imagine você contando a mesma história ao seu filho uns vinte anos mais tarde. Pontos antes destacados deixariam de ser, e novos dados seriam incorporados para dar vigor ao texto. Contudo, não seria possível dizer que a história deixou de ser a mesma, pois o teor, o foco principal da narrativa foi preservado. Assim ocorre com o texto bíblico. Em alguns livros se conserva mais o evento histórico por ter ocorrido seu registro em proximidade com o fato em si, enquanto, que outros sofrem discrepâncias por estarem em um período maior entre o evento e a escrita.

No entanto, vale ressaltar minha predileção ao minimalismo, pois não consigo vislumbrar, por exemplo, Moíses junto com o povo fugindo de faraó e carregando várias estelas para registrar o feito concomitante com a fuga. É no mínimo um atraso imenso por parte deles carregar tamanho peso deserto afora. Assim sendo, acho válida a pesquisa do texto bíblico em consonância com o contexto histórico oriundos de outras fontes.

Mas, sem sombra de dúvidas, é inconcebível deixar de dar crédito às escrituras, pois, enquanto relacionamento de Yahweh para com seu povo, a Bíblia se mantém infalível e extremamente fiel aos seus preceitos primeiros. Transmitindo não só aos hebreus, mas ao mundo, seu objetivo primordial que era e é, o de levar ao conhecimento de todas as nações que Yahweh é o único Deus a quem devemos adoração. Pois ele não é deus de nome, é Deus de ação.

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. João 1:1

 
Bibliografia

ROSSI, Luiz Alexandre Solano. “Literatura biblica como fonte historiográfica”, Historia e-historia, Campinas, 2005 (http://www.historiaehistoria.com.br/materia.cfm?tb=historiadores&id=2 0)

 

 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Somente o perdão liberta!!!









Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?
Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.
Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos;
E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos;
E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse.
Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.
Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida.
Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves.
Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.
Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida.
Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara.
Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste.
Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?
E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia.
Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas.                
 
                                                                                                                    Mateus 18. 21-35.



Já li esta passagem muitas vezes, nem sei ao certo quantas. Entretanto, sempre a li na perspectiva de perdoar pequenas coisas, pequenas ofensas feitas e sofridas todos os dias por nossos próximos. Afinal, a parábola diz respeito ao perdão de dívidas monetárias. Contudo, estando eu diante de Deus e pedindo para ter um coração próximo ao dele, comecei a entender esta parábola de outra forma.

É inevitável que no decurso de nossas vidas não ofendamos ou sejamos magoados por alguém. Contudo, Jesus vai além ao falar do perdão, pois, ele não está a nos dizer apenas dessas pequenas mágoas, mas de todo e qualquer tipo de perdão, por mais difícil que este seja!

Pois, se alguém se diz cristão e não perdoa, então, não vive mediante ao que Jesus ensinou; da mesma forma, se alguém não consegue pedir perdão para pessoa que feriu, também não faz a vontade de Cristo.

Para Deus não há pecadinho, ou pecadão; Há o não amar ao seu próximo como a si mesmo e assim sendo, um assassinato ou um xingamento em direção ao outro, passa a ter o mesmo peso mediante aos ensinamentos do Evangelho verdadeiro, ou seja, Jesus Cristo.

No grego temos αφεσις aphesis que vem de apiemi cujo significado primeiro é liberdade e posteriormente perdão.   Logo, a liberdade de cada um de nós vem através do perdão.   Jesus nos amou primeiro e por isso nos perdoou, dando-nos liberdade, a saber, uma segunda chance ao morrer por nós na cruz do calvário e não se esqueça de que nós o matamos!

A pessoa que guarda rancor, ódio, mágoa por outra é aprisionada por um sentimento que a consome. William Shakespeare tem uma frase que gosto muito, na qual diz “que odiar é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”, o que é extremamente verdadeiro!
Perdoar não significa esquecer ou querer conviver com aquele que nos feriu, mas, simplesmente não permitir que sentimentos ruins contaminem nossa própria alma.

Por exemplo, uma pessoa ao ser estuprada ou molestada, seja por um estranho, ou por alguém de sua própria família, como aconteceu a Tamar que foi violentada por seu meio irmão[1], é dilacerada duas vezes: primeiramente pelo ato carnal e, posteriormente psicologicamente, que a meu ver, constitui uma violência pior do que a primeira. Pois esta última é a que envenena a alma, que a machuca verdadeiramente e que faz com que a pessoa deseje àquele que causou seu mal, algo pior do que a violência por ela sofrida.

Entretanto, o que acontece na maioria das vezes, como aconteceu com Amnom, é que a pessoa que causou o mal não sente remorso ou dor pelo que fez e assim a pessoa que sofreu o abuso é que fica remoendo o ato e tendo sua mente e coração envenenados pela violência sofrida. Logo, a única coisa capaz de libertá-la de tantos sentimentos ruins é perdoar seu algoz. Esse processo fará com que Jesus limpe seu coração e a liberte verdadeiramente.

De maneira semelhante, deve agir aquele que teve um ente querido assassinado. Assim, devemos perdoar a pessoa que tirou a vida daquele que amamos, por mais difícil que isso seja! E devemos fazê-lo por dois motivos: Primeiro, porque se o ente querido morreu foi com a permissão de Deus, estava na hora dele. Caso contrário, poderia ser ferido pelo corpo todo e ainda assim permaneceria vivo; e em segundo lugar porque esse sentimento de rancor só nos fará mal e nunca nosso familiar amado desejaria isso para nós.

Logo, tanto perdoar como pedir perdão é procurar enxergar pela óptica de Cristo. Não quero dizer com isto que tal fato constitui tarefa fácil, ao contrário! Sendo nós extremamente egoístas, perdoar e ser perdoado passam a ser um dos exercícios mais difíceis para nós, seres humanos.

Contudo, não podemos agradar a Deus pela metade e o perdão é o ato que mais nos aproxima do amor de Deus. Permita que o amor infinito de Jesus Cristo invada sua alma e a limpe de todo e qualquer rancor. Que hoje seja um dia de faxina espiritual.

Jogue fora toda mágoa, todo rancor e nunca diga: Jamais perdoarei!!! Não atraia para você tamanha amargura!
Perdoe se te fizeram alguma coisa ruim! Ou, peça perdão, se foi você o causador da amargura de alguém!

Livre-se desse peso e faça a vontade de Deus. Liberte-se!

 
Naquele que nos perdoou primeiro,

Renata.

 

 



[1] Tamar era filha do Rei Davi e foi violentada por Amnom, seu meio irmão. Ver 2 Samuel 13.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A minha graça te basta!!!!

Acabei de assistir este vídeo e não posso deixar de compartilhar com vocês.
Que ele sirva como instrumento de Deus para levar fé, força e esperança aos nossos corações.
Em Cristo,
Renata,

E quem é capaz de atirar a primeira pedra?




Jesus novamente estava saindo da Judéia e indo em direção a Galiléia quando decidiu seguir pelo caminho que passava por Samaria[1], pois ele naquele lugar tinha um propósito.
E chegando numa cidade chamada Sicar, resolveu sentar para repousar junto a uma fonte, pois se achava cansado da viagem. 
E já começava a anoitecer quando uma mulher samaritana foi tirar água do poço. E Jesus virando-se para mulher lhe disse: − Me dê um pouco de água.
Mas a mulher chocou-se com o pedido de Jesus por reconhecer que ele era judeu.
E falou: − Como você pode pedir água para mim, sabendo que sou samaritana?
Ao que Jesus respondeu: − Se você conhecesse o amor de Deus, seus propósitos e soubesse quem sou e tivesse sede... Ah! Você receberia água viva.
E então a mulher perguntou para Jesus onde ela poderia encontrar a água viva. Pois reconheceu que Cristo era um homem de Deus.
E Jesus olhando para aquela mulher simples disse: se alguém beber da água desse poço voltará a ter sede, mas, se beber da água que eu der, nunca mais terá sede. Porque a água que dou faz brotar na pessoa que a recebe uma fonte que jorra para vida eterna.
E instantaneamente a mulher quis receber da água de Cristo para que não mais voltasse a ter sede.
E então Jesus disse para ela que trouxesse também seu marido. Mas a mulher lhe dissera que não tinha marido. E Jesus lhe revelou saber do fato e contou-lhe que tivera cinco maridos anteriormente, mas o homem com a qual aquela vivera na atualidade não era marido seu.
E nisto testificou ela de que verdadeiramente Jesus vinha da parte de Deus, achando que era um profeta.
E Jesus disse então à Samaritana: os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.
Deus é Espírito, e importa que os que o adorem o façam em espírito e em verdade.
E a mulher respondeu: Senhor, eu sei que o Messias vem; e quando ele vier, nos anunciará tudo.
E então Jesus olhando a samaritana disse: Sou Eu. É o Messias que fala contigo.
 
João 4:3-26
 
Nessa altura da leitura você pode estar se perguntado: o que tem o texto a ver com o título? Pois bem...tenha calma, chegaremos lá. 
 
Um dia desses escutei a seguinte afirmação: “Ah...essa pessoa está sofrendo no hospital, porque é idólatra, adora santos, e precisa se converter. Então Jesus a está fazendo passar por tudo isso para que seja salva!”
 
E tal afirmação me deixou muito entristecida!
Por causa dos santos? Não! Por causa das palavras dessa pessoa? Também Não! Mas, pelo fato de tal afirmação ter partido de uma pessoa que teoricamente lê a Bíblia.
 
Imediatamente me lembrei da passagem de Lucas 12:13-15:
 
 
E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.
Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?
E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.

 
Ora se o próprio Deus encarnado não se colocou por nosso juiz, como podemos ter a pretensão de sermos os “guardadores” da salvação?
 
 
O texto de Lucas se refere à avareza material, mas vivemos tempos de avareza espiritual. Estamos nos constituindo como os novos fariseus, sendo nós, e, somente nós povo de propriedade exclusiva de Deus. E assim estamos por inverter valores. Deus passa a ser nosso e não nós dele!
 
 
Por que a mulher Samaritana? A meu ver por dois motivos. E esta é apenas a interpretação de uma Cristã que se tivesse nascido no século XVIII teria sido queimada na fogueira como herege e ainda hoje incorro no risco de ser julgada pelo que irei escrever agora. Entretanto, estando minha consciência em Cristo e em seus ensinamentos, não temo o julgamento de homens. Isso posto, retomo o raciocínio.
 
Um dos motivos de Jesus escolher uma Samaritana é exatamente para “quebrar” com esse dogma de povo santo de propriedade exclusiva que os judeus tanto se gabavam ontem e nós hoje. E o outro motivo é por ser uma mulher. Naquele tempo as mulheres eram vistas como menores perante os homens. E Cristo escolhe uma pessoa de Samaria e ainda por cima, mulher.
 
Como Jesus Cristo é maravilhoso! Ele enaltece os excluídos, caminha com eles, entra em suas casas, senta-se às suas mesas e escancara sua misericórdia e compaixão. E ainda assim, não vemos o que está claro, ou melhor, insistimos em não aceitar. E prosseguimos achando que somente os evangélicos serão salvos!
 
Me pus a imaginar como pessoas que se colocam no patamar de “promotoras celestiais” devem achar que é no céu...
 
− Vamos lá gente!!! Todos os crentes, por favor, aqui na frente. Vocês possuem passe livre!
− Ih!! Você é muçulmano. Pois bem, temos que analisar sua situação...tá, tá...você pode entrar porque crê que há um só Deus!
− Humm...Você é aquele que praticava a magia negra né?! E se converteu nos 45 minutos do segundo tempo. Ah!... Você terá que ir para o final da fila. Primeiro os santificados de Deus. Depois te deixo entrar.
E por aí vai...
 
 
Que triste! Que lamentável! E certamente que susto levará os que assim acreditam!
 
Falamos da água benta e colocamos copo d’água em cima da televisão para ser abençoado e bebemos para receber a bênção. No entanto o que Jesus nos diz?! Eu sou a fonte de água viva. Aquele que beber jamais terá sede!
 
Reclamamos de quem se benze e de quem é supersticioso, mas passamos óleo ungido, para nos proteger.
 
Ora, os profetas ungiam reis! Você pode se questionar. Sim, é verdade. Mas quando Jesus foi ungido, ele estava sendo preparado para morte, para nos ungir não com óleo, mas com seu sangue remidor! E assim sendo, nada mais poderá nos proteger, nos “santificar” do que o sangue do Cordeiro.
 
Criticamos pessoas que invocam espíritos, santos, entidades, demônios, ou seja, lá como queiram chamar, e passamos horas a fio invocando dentro da “Igreja” esses seres para tirá-los dos possessos, enquanto deveríamos estar anunciando o evangelho de Jesus para tais pessoas. Pois a fé vem pelo ouvir e ouvir a palavra de Deus. E quando a palavra entra, a verdade é revelada e toda alma é liberta de qualquer coisa. Mas deixamos de prestar culto a Deus para darmos mais atenção àquele que já foi vencido na cruz do calvário.
 
Também falamos daqueles que enaltecem a energia, o pensamento positivo e então declaramos vibrantemente nos cultos: Tome posse do que é seu!!! É praticamente o livro “The secret” dos evangélicos.
 
E prosseguimos sendo senhores detentores das verdades absolutas, ao dizer que aqueles que adoram imagens não serão salvos, mas ao mesmo tempo enaltecemos pastores e cantores gospel na mesma proporção.
 
Eu poderia passar horas aqui fazendo comparações de coisas que criticamos no mundo e fazemos igualmente. Coisas que nada tem a ver com os ensinamentos de Jesus para nós. Nossa! Como adoramos um rito!!!
 
Não estou aqui defendendo a adoração a santos, teologia da prosperidade, espiritismo ou nenhuma outra coisa. Só estou querendo mostrar que agimos como fariseus orando alto, batendo no peito, fazendo estardalhaço aos homens, mas que estamos seguindo caminho tão perigoso quanto aqueles que não conhecem os ensinamentos de Cristo.
 
Jesus nos diz que chegará dias em que o joio será separado do trigo dentro das igrejas e então ficaremos surpresos de ver muitos do “povo santo” de fora enquanto muitos “perdidos” reunidos ao trigo por serem ovelhas de Deus.
 
E então me pergunto e pergunto também a você: Que diferença há entre lá e cá? Sinceramente não vejo santidade nem aqui nem acolá!
 
Jesus levou sobre ele todos os nossos pecados, todas as nossas limitações, dores e ignorâncias. E nos afirmou que delas já não se lembra. Então porque nos colocamos como julgadores de quem deve ou não receber a salvação? Será que só seremos salvos se chamarmos Jesus pelo nome?
 
Abraão por acaso chamou Yahweh de Jesus? Não! E Moisés... Foi em nome de Jesus que retirou o povo do Egito, ou em nome do Eu Sou que apareceu a ele na sarça ardente? E por acaso temos alguma dúvida sobre a salvação destes homens?
 
Quem decide a salvação? Eu, você ou o Eu Sou?
A realidade é que se dependesse de nossa santidade estaríamos todos igualmente queimando no inferno! Ou por acaso, temos uma lupa capaz de enxergar no livro da vida os nomes lá escritos? Quais são os escolhidos de Deus, você pode afirmar?! Será que salvaríamos o ladrão na Cruz?
 
Quanto à frase que escutei sobre o doente no hospital, diria que devemos nos preocupar mais em ler a Bíblia, em pedir discernimento a Jesus para não incorremos em erros como esses e não acabarmos pecando, por achar que idolatria é somente adoração a santos. Existem vários outros tipos de idolatrias que cometemos todos os dias, mas delas não damos conta.
 
 
Devemos agir como aquela passagem que diz tira a trave de teus olhos e só depois se preocuparás com o cisco no olho de teu irmão. Porque sinceramente, um Deus que deixa a pessoa sofrer para alcançar a salvação, pode ser Baal, Set, Tiamat, Moloque ou qualquer outro, menos Jesus ao qual eu sirvo e conheço! Caso contrário, como ficaria a afirmação de 2 Coríntios 12:9? “A minha graça te basta!”
 
O preço já foi pago!
Se por acaso, uma pessoa encontra-se enferma num leito de hospital, ela está com a permissão de Deus e para um propósito dele, que não cabe a nós saber. Mas com toda certeza e fé que tenho em Jesus, posso afirmar que não é jamais no intuito de fazer sofrer o doente. Pois Jesus Cristo é Deus que cura e não que tortura.
 
 
Jesus nos salva por graça e de graça!
 





[1] Nos tempos de Jesus é sabido que os judeus não se comunicavam com os Samaritanos. Logo, a viagem da Judéia para Galileia era feita normalmente atravessando o Jordão para oriente junto de Damyiah, a norte de Jericó, passando por terreno plano do além-Jordão, para atravessar de novo o Jordão, junto de Bet-Shean, um pouco a sul do mar da Galileia.
Embora o caminho por Samaria fosse geograficamente mais curto, os judeus não cogitavam tal possibilidade. E a escolha de Cristo pelo caminho de Samaria se fez por razões ministeriais e não territoriais.

 
 
















quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Tudo que Deus faz, eis que é muito bom!





Em Deus está a minha salvação e a minha glória; a rocha da minha fortaleza, e o meu refúgio estão em Deus.
Confiai nele, ó povo, em todos os tempos; derramai perante ele o vosso coração. Deus é o nosso refúgio
                                                        Salmos 62:7-8
  

Existia um rei que possuía um ministro, seu conselheiro e que sempre lhe dizia que tudo que Deus fazia era muito bom.

Certo dia os dois foram caçar e um acidente acabou por fazer o soberano perder um dos dedos da mão. Ao ver seu rei sangrando o súdito pôs-se a falar:

─ Tudo que Deus faz é muito bom!

Então o rei tomado de dor e revoltado por ter perdido um membro irou-se com seu ministro:

─ Como pode dizer uma coisa dessas?! Acabei de perder meu dedo!!!

Indignado o rei mandou então que castigassem e jogassem seu ministro na masmorra para que morresse, por julgar que seu servo desejava-lhe mal.

Tempos depois o soberano saiu à caça novamente, só que dessa vez sozinho. Ao adentrar a floresta foi aprisionado por uma tribo de canibais que o levaram a fim de fazer com o rei um sacrifício humano aos seus deuses.

Na hora que iam sacrificá-lo, perceberam que lhe faltava um dedo e assim o rei foi liberto por ser incompleto, deficiente, ou seja, não sadio para o grande sacrifício.

Quando chegou ao palácio logo ordenou que libertassem o ministro e o trouxessem a sua presença. E assim que viu seu ministro foi dizendo:
 
─ Realmente tudo que Deus faz é muito bom!

E foi contando o episódio ao “amigo”. Ao que o outro respondeu: ─ Sim, realmente tudo que Deus faz é muito bom, mesmo que temporariamente não entendamos. Veja só o que permitiu que me fizesse.
Alguns poderiam considerar uma desgraça o que vossa majestade me fez, mas acaso o rei não tivesse me aprisionado eu teria ido com o Senhor à caça e o sacrificado seria eu, por possuir todos os meus membros. 

Por isso ficar na masmorra foi uma bênção e não uma desgraça. Tudo que Deus faz, eis que é muito bom!

 
Preciso dizer mais alguma coisa???
Nas maiores adversidades Deus sempre está conosco e ele sabe o que é melhor para cada um de seus filhos.
Muitas vezes questionamos o motivo de nosso sofrimento, ou dificuldade, mas verdadeiramente Deus sempre faz o que é melhor, pois ele é amor.

Assim, mesmo que tempestades surjam, tudo será perfeito!
 
Um dia abençoado a todos nós!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Desabafo







Jesus de milagres: milagres para quem?

E da mesma maneira também o Espírito Santo ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito de Deus intercede por nós com gemidos inexprimíveis.

E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede por seus filhos.

Romanos 8:26-27

 
 
Estou passando por um drama pessoal que me fez pensar muito sobre as questões dos milagres de Deus.
Meu avô encontra-se internado, doente, com apenas um dos rins funcionando precariamente a 8% e por ser um “lindoso” de 84 anos a hemodiálise só está por lhe dar uma sobrevida na terra.
Perdi minha avó, sua esposa, em 2010 com Alzheimer e também fazendo hemodiálise por conta das complicações que a doença lhe causou.
Desde então, meu avô vem se entregando, morrendo um pouco de saudade dia a dia.
O último sábado, o visitei no hospital e ele estava brincalhão como sempre, sentado na maca, me esperando com um sorriso lindo no rosto e seu chapéu estilo “Chaves” que tanto gosta.
Eu, brincando com ele, lhe disse que era para ele passar uns dez na fila de ida para o céu, porque ainda tinha que ficar uns vinte anos com a gente.
Ele me disse que vinte anos eram muita coisa e então pegou minha mão apertando com força e falou:
 
− Minha filha estou cansado! Aquele aperto de mão me fez entender muita coisa.

 
Todos, em minha família, estão orando por meu avô e já escutei muitas frases do tipo:

 
− Ah!!! Deus é Deus do impossível! É Deus de milagres e o Murílio irá ficar curado!!!

 
E tais afirmações têm me deixado muito reflexiva...
 
Concordo. Deus simplesmente É! Para ele não há impossíveis, porque ele é o Deus em que tudo é possível! Ele opera milagres. Não tenho dúvidas disso!
Mas a grande questão que me deixou pensativa é: milagres para quem?
Milagre de cura para eu continuar minha vidinha enquanto meu avô sofre com a falta de conversa, companhia, companheirismo da minha avó? Sim, porque por mais que estejamos com ele, chega um momento em que cada um segue seus compromissos e ele se vê solitário.
Ora, se o milagre não acontecer do jeito que queremos ou esperamos, não significa dizer que milagres não aconteceram!
Jesus fazia o milagre para o doente, no doente e não em seus entes queridos!
O espinho na carne encontra-se com aquele que sofre e por mais que sintamos pelo seu sofrer, a dor maior encontra-se nele e não em nós.
Muitos poderiam se condoer do fardo que carregava a mulher com o fluxo de sangue, mas a dor era só dela. Somente ela e Jesus sabiam o seu verdadeiro sofrer.
Nos momentos de doenças, com a iminência da morte, temos o errado hábito de pedir pela cura do doente. Devemos orar pelo doente, mas, nossa oração deve ser para que Deus faça a vontade dele e não a nossa!
Sim, porque se cremos que Jesus morreu e ressuscitou nos dando vida em abundância, então a morte daquela pessoa que se encontra enferma também é um milagre de Deus, pois já não mais está doente, mas curado ao passar desse mundo de morte para a vida plena em Jesus Cristo.
Só o Espírito Santo de Deus para ter misericórdia de nós. Como somos pequenos e limitados!
A doença de meu avô me fez repensar muitas coisas, mas principalmente o lidar com a morte. A cada dia que passa vejo que o egoísmo que nutrimos por aqueles que amamos nos faz orar de forma errada, e assim, esperamos a resposta de Deus que queremos ouvir e não a que ele realmente dará.
Desde então, mudei minha oração em relação ao meu avô e creio que nunca mais verei a morte da mesma maneira. Se dessa vida meu avô passar, sei que com Jesus ele estará! Hoje, oro para que Deus faça a sua vontade, o seu milagre de cura, da forma que ele achar melhor.
E seja qual for sua decisão eu darei glórias ao seu nome, pois, sei que ele é o Deus da minha Salvação!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Minha releitura do Salmo 6




Senhor Yahweh sou como uma criança de colo que tenta dar os primeiros passos.

Não brigue comigo por eu não conseguir andar sem me apoiar e por me debruçar em lugares que podem me machucar. Não me repreendas e nem me castigue por estar caminhando de forma errada, pois estou tentando, Deus meu!

Olhe para mim com seu mais doce olhar, porque ainda sou fraco, pequeno e indefeso. Se eu cair no caminhar, levanta-me; como um pai que ensina o filho a dar os primeiros passos. Pois meus ossos e pernas ainda estão se firmando. Estou tentando aprender a andar em teus caminhos.

Tenho medo Yahweh! Temo por meu corpo e minha alma, porque o desconhecido me espera. Aba Pai!!!...Até quando estará somente a observar meu caminhar? Fitando-me de longe?

Sabes que sem ti eu não conseguirei. Ajuda-me Deus meu! Ensina-me a me movimentar e apressa-te em me apoiar quando eu estiver a cair, pois tu és meu Pai de amor.

Porque se não me ajudar e eu vier a tombar, quem poderá engrandecer e louvar a ti?

Quem dirá: meu pai ensinou-me a andar. E se eu perecer, quem enaltecerá teu nome? Não permitas por isso, pai, que nada de ruim me aconteça.

Estou cansado de tentar e fracassar. Estou farto de chorar por não conseguir alcançar meus objetivos.

Minha cama conhece a amargura de meu coração e minha decepção em não conseguir me mover como convém. Meus olhos mostram toda frustração de meu ser e cada vez mais me vejo enfraquecido pelos obstáculos que impedem que eu me coloque de pé e aprenda a andar.

Tira Senhor tudo aquilo que me impede de aprender a caminhar em ti, pois somente tu sabes a amargura que toma conta de todo meu ser cada vez que me vejo falhar.

Paizinho dá-me tua mão. Levanta-me e vem me cercar, ensinando-me a me movimentar. Tirando todos os obstáculos de minha frente, para que eu finalmente firme meus passos e ande.

Pois tudo aquilo que me ensinar eu nunca mais esquecerei! E todos verão que tu és meu Pai e reconhecerão em mim os teus ensinamentos.

Amém!   

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Luto nosso de cada dia – parte final



 

O luto é nosso...a glória deles!

 

Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;

    E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?

João 11:25-26

 

 
A morte, a separação daqueles que amamos é algo extremamente difícil, doloroso. Trata-se de uma dor física por saber que não mais estaremos com aqueles que até então fizeram parte de nossas vidas.
 
 
A Bíblia nos diz em Romanos: “Porque o salário do pecado é a morte...”.
Todos nós pecamos pelas mãos de Adão e Eva e já nascemos sobre esse mal. Assim, a morte de cada um  torna-se uma certeza.
Mas o versículo não para por aí, ele prossegue “...mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.” Romanos 6:23 
Dessa forma, a morte não é o fim, mas uma passagem de um mundo corruptível para uma vida plena ao lado de Deus.
 
 
Quando perdemos alguma pessoa amada o sofrer, o chorar, o luto é extremamente normal e até saudável, pois, a dor da perda é amenizada pelo choro. E Jesus nos ensinou isto, mostrando-nos por diversas vezes, por exemplo, quando chorou ao receber a notícia da morte de Lázaro, mesmo sabendo que o ressuscitaria (João11). Ao ser avisado da morte de João Batista (Mt. 14.12). No Getsêmani quando se encontrava angustiado por saber que sua hora estava chegando. (Mt.26.38), etc.
 
Mas há uma tênue diferença entre o sofrer por saudade e o desesperar-se pela morte. Como já falei anteriormente, Davi cria que seu filho ficaria no Sheol, no não-lugar, onde a pessoa permanece para eternidade e lá nada faz e não há esperança de estar com Deus.
O rei de Israel não possuía as informações que temos hoje sobre a morte e ainda assim sua confiança em Yahweh era tão grande que ao receber a notícia do falecimento do filho, simplesmente glorificou a Deus e agradeceu.
 
Ora, se para Davi o Sheol significava o esquecimento do ser e ainda assim ele bendisse o nome de Deus, porque que para nós a morte tem que ser um tormento? Por acaso não cremos que Jesus morreu na cruz vencendo a morte?
 
Porque se assim acreditarmos, então o lamento deve ser por nós e não pelos que se foram. A dor é nossa, o luto é nosso! Aos que se foram cabe-lhes a plenitude da vida na companhia de Deus. Num lugar que não mais há dor...maldade...doenças.
 
As orações e preces devem ser por nós que ficamos, para que Deus console nossos corações e não pelos que em Deus já são e estão. Nenhuma oração, prece ou culto pode modificar o destino de um morto, pois sua passagem desse mundo para junto de Deus há muito já foi escrita no livro da vida.
 
“Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos. Salmos 116:15” Jesus Cristo nunca se arrependeu de levar ninguém, ao contrário, ele tem prazer em nos resgatar desse mundo mau.
 
Cristo morreu para nos dar vida e não morte. E se desejássemos que a pessoa que se foi permanecesse conosco, então em nosso mais puro egoísmo estaríamos desejando-lhe o mal. Indo contra a vontade de Deus, pecando seriamente contra ele, por não aceitar que ele nos fez, dando-nos a vida e que ele pode tomar para si os que dele são na hora que bem o convier.
 
Só se desespera pela morte aquele que não possui a certeza que Jesus Cristo, Deus que se fez homem, morreu em nosso lugar e ressuscitou ao terceiro dia, nos dando a chance de estarmos com ele quando desse mundo passarmos.
 
A morte nunca foi o fim, mas o começo! E quanto a mim, quero sinceramente viver como Paulo, porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Filipenses 1:21
 
Então chore! Chore por ti, por mim, por nós que ainda estamos num mundo de sofrimento. Mas alegre-se no Senhor pelos que se foram e espere em Deus um dia reencontrá-los.
Porque uma certeza temos: nós iremos para eles, mas eles nunca mais voltarão à nós! Pois em glória já estão!